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Presidente questionou a conduta de Campos Neto, que “fica mais em Miami do que aqui”, e reforçou que o BC deve ter compromisso com o crescimento do país

Roberto Campos Neto e Lula
Roberto Campos Neto e Lula (Foto: Isac Nóbrega/PR | Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou a indicação de Gabriel Galípolo para a presidência do Banco Central em entrevista à rádio MaisPB, da Paraíba, nesta sexta-feira (30). Lula criticou o atual presidente da instituição monetária, Roberto Campos Neto, e disse que ele defende interesses políticos.

“O atual presidente do Banco Central age no Banco Central como político, não como economista. Ele se oferece em muitas reuniões políticas, coisa que não deveria acontecer. A taxa de juros no Brasil hoje não tem explicação. E eu vou me comportar no Banco Central… Eu já estive oito anos na Presidência da República. É importante lembrar que o Fernando Henrique Cardoso trocou quatro [presidentes do Banco Central]. Eu não troquei nenhum. O Henrique Meirelles entrou e ficou, e ele não era do meu partido. Ele era do PSDB […] . Então eu sei lidar com o Banco Central. O problema é que no imaginário do mercado, o Banco Central tem que ser um representante do sistema financeiro, e eu não acho que tenha que ser”, criticou.

Lula defendeu que o presidente do Banco Central defenda a soberania nacional, e elogiou as características de Gabriel Galípolo. “Tem que ser uma pessoa que goste desse país, que pense na soberania nacional e que tome as atitudes corretas. Se um dia o Galípolo chegar para mim e falar ‘olha, tem que aumentar os juros’. Ótimo. Ele tem o perfil de uma pessoa competentíssima e de um brasileiro que gosta do Brasil. É um jovem extremamente competente. Ele vai trabalhar com a autonomia que teve o Meirelles”, disse.

Para o presidente, o BC não pode se esquecer que deve trabalhar também pelo crescimento econômico do país.“Você não precisa trocar o presidente do Banco Central se ele estiver fazendo as coisas corretas. Se tiver que baixar os juros, baixa. Se tiver que aumentar, aumenta. Mas tem que ter uma explicação. O papel do Banco Central não é só juros não. Ele tem que ter meta de crescimento também, se não a gente não vai a lugar nenhum. Se a gente não tiver combinada uma meta de crescimento, uma meta de inflação e de crescimento da população, do ponto de vista da melhoria de vida, esse país continuará estagnado”, explicou.

Em nova crítica a Campos Neto, Lula voltou a dizer que o presidente do Banco Central não pode pensar apenas nos interesses do mercado. “Esse país agora tem o Banco Central independente e com mandato. Se eu tivesse voto, eu seria contra. Mas se está aí, vai ficar. Eu, sinceramente, acho que o presidente da República tem o direito de indicar o presidente do Banco Central e de tirar se não gostar. Eu coloco o Galípolo com mandato. E se ele fizer uma coisa muito errada? O que eu faço? Não sei quem criou a ideia de que o cara [Campos Neto] é intocável, é um ser superior a tudo. O presidente do Banco Central, que fica mais em Miami do que aqui no Brasil, não quer ser criticado? Ele tem que pensar na indústria, no comércio. Ele não pode pensar só nos interesses do mercado. Então o Galípolo é uma indicação extraordinária, nós vamos indicar mais gente esse ano e até o ano que vem vai ter uma nova equipe. E como eu sou um cara de sorte, eu quero continuar tendo sorte, para que o Banco Central ajude esse país a se desenvolver, a crescer, gerar empregos e a distribuir riqueza nesse país”, afirmou.

Com informações do Brasil 247

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