Investigação da Revista VEJA mostra depósitos na conta de Fabrício Queiroz; ex-assessor de Flávio Bolsonaro também recebeu R$ 1,2 milhão
Flávio Bolsonaro: filho de Jair Bolsonaro disse confiar em Fabricio Queiroz e que ex-funcionário irá apresentar justificativas para os valores em sua conta (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
São Paulo – Uma conta do ex-policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz recebeu transferências bancárias de sete servidores da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) que passaram pelo gabinete do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). As transferências foram descobertas pela Revista VEJA.
O levantamento foi feito por VEJA com base em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão ligado ao Ministério da Fazenda. Segundo o relatório, esses servidores transferiram no total 116.556 reais para a conta de Queiroz entre 1º de janeiro de 2016 e 31 de janeiro de 2017.
Além dos servidores, o próprio Fabrício Queiroz depositou 94.812 reais nesta conta. A conta é do banco Itaú e a agência fica em Freguesia, bairro da zona oeste da cidade do Rio.
O ex-PM trabalhou durante cerca de dez anos com Flávio e foi seu motorista na Alerj. Registrado como assessor parlamentar de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz também era segurança do filho do presidente eleito Jair Bolsonaro. Queiroz foi exonerado do gabinete no último dia 15 de outubro.
Nessa semana, uma reportagem do jornal O Estado de S.Paulo revelou que o Coaf havia identificado uma movimentação atípica em uma conta de Queiroz, de R$ 1,2 milhão. O documento que revela a movimentação foi anexado pelo Ministério Público Federal (MPF) à investigação que criou a Operação Furna da Onça. Realizada em novembro, a operação da Polícia Federal prendeu dez deputados estaduais da Alerj.
Flávio Bolsonaro não é alvo direto da Operação Furna da Onça. Mas, a pedido da Polícia Federal, todos os deputados da Alerj tiveram suas contas bancárias esmiuçadas.
Os nomes dos servidores que fizeram os depósitos, citados de acordo com o relatório da Coaf, são: os da filha do ex-PM Nathalia Melo de Queiroz – que trabalhou no gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados -, o de sua mulher, Márcia Oliveira Aguiar, e dos servidores Agostinho Moraes da Silva, Jorge Luís de Souza, Luiza Souza Paes, Raimunda Veras Magalhães e Wellington Servulo Rômulo da Silva.
No documento do Coaf, o órgão cita uma “recorrência de transferências envolvendo servidores da Alerj”. Uma das transações suspeitas apontadas pelo órgão é a emissão de uma cheque de 24.000 reais para a futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro.
Segundo a Alerj, o salário de Fabrício Queiroz, antes da exoneração, era de 9.190 reais.
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