O governo brasileiro está acompanhando com preocupação a situação entre Venezuela e Guiana, mas acredita que a situação não deve evoluir para um confronto militar
A América do Sul está buscando maneiras de amenizar as tensões entre Venezuela e Guiana após um plebiscito venezuelano no último fim de semana aprovar a anexação de parte do território da Guiana. A embaixadora Gisela Padovan, secretária para América Latina e Caribe do Itamaraty, afirmou em entrevista à Reuters nesta segunda-feira que a região possui as condições necessárias para evitar um conflito armado entre os dois países.
O governo brasileiro está acompanhando com preocupação a situação entre Venezuela e Guiana, mas acredita que a situação não deve evoluir para um confronto militar. Líderes da região, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estão envolvidos em negociações com os presidentes dos países vizinhos para buscar uma solução pacífica.
“Acompanhamos a situação com preocupação, mas eu não creio que vamos chegar a isso (conflito armado). Acho que a gente tem capacidade na região para desinflar esse processo”, disse a embaixadora Gisela Padovan, quando questionada sobre a possibilidade de um confronto militar.
“A gente defende uma solução pacífica para essa questão, e o que a gente não quer é o que o presidente Lula chamou de confusão, e eu chamo de conflito. Acho que seria totalmente indesejável um conflito em um momento que a gente está retomando a integração da América do Sul, retomando reunião dos 12 países sobre diversos temas, inclusive defesa”, acrescentou.
Padovan também destacou que a região de Essequibo é composta por uma floresta densa e de difícil acesso, o que tornaria qualquer ação militar extremamente complicada. A principal ligação terrestre entre Venezuela e Guiana passa pelo território brasileiro na região de Pacaraima, o que reforça a importância da estabilidade na região.
As autoridades brasileiras têm mantido uma vigilância constante na fronteira e reforçaram o efetivo militar na região para evitar que qualquer ação dos países vizinhos utilize o território brasileiro como palco de hostilidades.
Em relação ao referendo realizado no domingo, os eleitores venezuelanos rejeitaram a jurisdição da Corte Internacional de Justiça (CIJ) sobre a disputa territorial com a Guiana e apoiaram a criação de um novo Estado venezuelano na região de Essequibo, que é rica em recursos naturais, incluindo petróleo. A CIJ havia proibido a Venezuela de tomar qualquer medida que alterasse o status quo na área.
O governo brasileiro, preocupado com a escalada da retórica na campanha venezuelana sobre a anexação de Essequibo, enviou o ex-chanceler Celso Amorim a Caracas, a pedido do ex-presidente Lula, para buscar uma solução pacífica. O Ministério da Defesa brasileiro intensificou ações ao longo da fronteira norte do país para garantir a segurança na região.
A aprovação da anexação no referendo venezuelano não foi uma surpresa, e a embaixadora Padovan enfatizou que essa é uma causa que une governo e oposição na Venezuela. No entanto, ela ressaltou que a Corte Internacional de Justiça proíbe a alteração da situação de fato na região, e isso não ocorreu.
A disputa territorial entre Venezuela e Guiana tem raízes históricas que remontam ao século XIX, quando os britânicos, colonizadores da Guiana, ocuparam uma área rica em ouro além do rio Essequibo. Várias mediações e tratados foram tentados ao longo dos anos, mas o conflito persiste.
A ONU definiu a Corte Internacional de Justiça como foro para a solução da disputa, algo que a Venezuela discorda. A região de Essequibo é estratégica devido aos seus recursos naturais, e a busca por uma resolução pacífica continua sendo um desafio na América do Sul.
Com informações do Brasil 247
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